Um ateu que se confessa apaixonado por Deus, um filósofo que confia mais no senso comum, um pessimista que sente “tesão” pela vida: Luiz Felipe Pondé é a personificação do espírito de finesse, do qual falava Blaise Pascal (1623-1662).

Pascal dizia que as cabeças pensantes podem ser dividas em dois tipos: espírito geométrico e o espírito de finesse.  Os detentores do espírito geométrico enxergam a vida de modo literal, baseados na lógica, buscam verdades matemáticas e são rigidamente cartesianos.

Por sua vez, a mentalidade do espírito de finesse é marcada pela sabedoria do paradoxo, da sutileza. Não busca verdades matemáticas, mas intuitivas, poéticas e morais. Sabe que a vida não cabe na lógica e tampouco pode ser resolvida por cálculos.   A sutileza e o paradoxo são suas moradas.

Além da ironia fina, a obra e o pensamento de Pondé desperta curiosidade em razão dos paradoxos espirituais, políticos, morais e filosóficos, muitos deles sutis; outros, nem tanto.

Foto: Gustavo de Paula

Foto: Gustavo de Paula

Nesta entrevista, tentei dar conta de alguns destes paradoxos. Para entendê-los, contudo, é preciso percorrer um labirinto de insights, conceitos filosóficos e teológicos – todos relidos de forma genial pelo filósofo – e prestar atenção nos “ancestrais” referenciados na conversa.

Os ancestrais de Pondé são os trágicos, os céticos, os pecadores, os santos e as prostitutas. O seu pensamento é povoado por gigantes da estatura de Nelson Rodrigues, Fiódor Dostoiévski, David Hume, Santo Agostinho, Nietzsche e Michel Montaigne, entre outros.

Nós conversamos sobre Deus, sexo, filosofia, ideologia de gênero, feminismo, doutrinação nas escolas e universidades, psicologia evolucionista, concepção cristã de natureza humana, ceticismo filosófico… Até que o professor lembrou ao visitante: “Preciso dar aula”.

Foi com este tom de urgência que o professor Luiz Felipe Pondé deu o sinal de que a entrevista havia ultrapassado o tempo combinado. Valeu a pena!

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