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No vocabulário orwelliano crimideia significa qualquer pensamento ou ideia que contrarie a ideologia dominante. A criminalização das ideias foi uma das táticas totalitárias previstas pelo profeta secular George Orwell (1903-1950) no início do século passado.

O clássico “1984” é sobre uma sociedade altamente controlada na qual a crimideia é combatida pela Polícia do Pensamento. O governo totalitário, contudo, sempre troca os significados das palavras para que suas ações não sejam referidas como realmente são.

O ministério do governo do Grande Irmão responsável pela tortura dos cidadãos dissidentes, por exemplo, é conhecido como Ministério do Amor.

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Eis uma das lições de Orwell: o controle de uma sociedade só é possível por meio do controle da linguagem e do pensamento.

A censura é aceita quando vem com outro nome. Assim como a corrupção, o assassinato em massa, o sequestro das instituições , a destruição da cultura e da moral.

O governo Dilma lançou na semana passada uma iniciativa voltada ao controle da linguagem e do pensamento na internet e também com objetivo de promover uma cultura de denuncismo entre os seus usuários – tudo isso supostamente para “humanizar” as redes sociais.

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Os humanizadores são, na verdade, policiais do pensamento pagos com o nosso dinheiro para patrulhar nossas ideias. Como o Ministério do Amor em “1984”, que na verdade torturava os cidadãos que desfiavam o Grande Irmão, o Humaniza Redes traz no seu nome a negação do verdadeiro significado de sua existência: a censura.

De acordo com o site da iniciativa, o Humaniza Redes tem como objetivo garantir mais segurança na rede “e fazer o enfrentamento às violações de Direitos Humanos que acontecem online”. O governo Dilma quer “uma internet livre de violação dos direitos humanos”.

Trata-se do mesmo governo Dilma que usa um programa fajuto para financiar a ditadura cubana e da mesma presidenta Dilma que se recusa a condenar a sistemática violação de direitos humanos e da liberdade de imprensa na vizinha Venezuela.

 

A student takes part in a protest against Nicolas Maduro's government in Caracas, Venezuela.

Apesar de apoiar e celebrar regimes autoritários que matam seus estudantes e operários em manifestações pacíficas e – que mantêm escritores, jornalistas e poetas nas masmorras, como presos políticos – Dilma afirmou, no lançamento de sua patrulha virtual, que tem “compromisso inabalável com a liberdade de expressão e manifestação”.

O Humaniza Redes supostamente existe para combater o “discurso de ódio” na internet. É uma tarefa definida de forma absolutamente vaga e confusa que pode abarcar de tudo, inclusive, é claro, críticas ao próprio governo.

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Os policiais do pensamento são amparados por uma febril e inconsequente fabricação em larga escala de termos como “homofobia” e “feminicídio” que servem exclusivamente ao objetivo de promover antagonismos entre diferentes segmentos da sociedade.

As posições políticas que se afastam da ideologia dominante são cada vez mais criminalizadas, mas sempre com a desculpa do combate ao ódio. O suposto combate à homofobia, por exemplo, tem se revelado uma máscara para a pura e simples perseguição política.

A tarefa dos humanizadores é a de policiar os discursos alheios, patrulhar os pensamentos e criminalizar ideias de acordo com categorizações arbitrárias como “lipofobia” e “homofobia”.

Sim, lipofobia.

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É um procedimento tão orwelliano quanto inconstitucional.  A Constituição Brasileira Artigo 5º Parágrafo 4º diz: “É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”.

Quem se sente vítima de calúnia e difamação já está amparado pela lei e não precisa de policiais do pensamento virtuais que trabalham à soldo de um governo e de um partido.

Os censores do Humaniza Redes juram solenemente que são imparciais e “não têm partido”. Petistas? Militantes? Censores do governo? Nada disso, eles dizem.

 

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O Brasil é o único lugar do mundo onde os ministérios “não são o governo”. Aqui os ministérios são de todo mundo, mas não são de ninguém.

Mas basta verificar os perfis que o Humaniza Redes segue para lançar por terra a mentira segundo a qual ninguém ali “tem partido” e etc…

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O Humaniza Redes não tem qualquer constrangimento em recrutar para sua horda militantes coléricos do PT como Juca Kfouri, para quem os manifestantes que tomaram as ruas no dia 15 de março são todos elitistas com a “barriga cheia de ódio”.

Ódio é o que está explícito no grito agoniado de Kfouri contra a reserva moral da Nação que se levantou contra a corrupção e é também o que está nas entrelinhas da apologia de Cynara Menezes ao stalinismo diante da emergência dos dissidentes da ideologia dominante.

 

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O Humaniza Redes, é claro, segue o perfil de Cynara. Pois existe um tipo de ódio que o governo do Grande Irmão e sua paródia tropical de baixo orçamento, o governo Dilma, não apenas aceitam como estimulam: o ódio contra a liberdade de pensamento.

Os humanizadores, portanto, estão nas redes para patrulhar os pensamentos alheios e promover a cultura do denuncismo contra as ideias politicamente incorretas e que desafiam a ideologia dominante – o que George Orwell designava, sinteticamente, como crimideia.

Se você cometer crimideia, logo saberá. A Humaniza Redes Zela Por Ti!

PS.: Não seja uma vítima passiva desta paródia orwelliana malfeita. O camarada Danilo Gentilli respondeu a essa tentativa de censura com a Desumaniza Redes. Participe. Por ora ainda podemos resistir; no futuro, nunca mais.  

 

 

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