Glória a Deus nas Alturas
Por Pr. Zwinglio Rodrigues
Wayne Grudem, em sua Teologia Sistemática[1], no capítulo 32 que trata da Eleição e Reprovação, diz:
Os teólogos reformados dizem que Deus julga sua própria glória mais importante do que salvar a todos e que (conforme Rm 9) a glória de Deus é promovida também pelo fato de que alguns não serão salvos. (p. 572)
Em outras palavras, e como costumeiramente dizem os calvinistas, a preocupação essencial de Deus é manifestar a sua glória plenamente elegendo alguns seres humanos e reprovando outros. Sobre os primeiros, Deus manifesta a Sua misericórdia; sobre os outros ele imputa a Sua justiça e ira. Essa combinação de decisões prévias, segundo os calvinistas, é o mecanismo divino que viabiliza a manifestação da glória de Deus mais plenamente. Os Seus atributos magníficos encontram condições plenas de se manifestarem quando Ele trucida a rebelião humana.
Mas será apenas desta maneira que a glória de Deus poderá se manifestar de forma plena? É decretando que alguns rejeitem a salvação e que sejam sentenciados à condenação eterna que Deus tem assegurado o conhecimento da Sua ira e justiça por parte de todos? Eu penso que não. Todas as ações divinas que expressem amor, misericórdia, justiça e ira, glorificam a Deus plenamente porque elas são precisas e completas, e isso, de per si, promove uma alta apreciação da glória divina.
Então, esse argumento de Grudem e demais calvinistas para fundamentar a heresia da eleição e reprovação não passa de mais uma “conversa pra boi dormir.” Ah! E para a vaca também [precisamos ser inclusivistas]!
Maniqueísmo
Uma outra questão que subjaz ao argumento calvinista é a necessidade da existência de “todo bem” e de “todo mal”. Para Deus é importante que exista o mal, pois apenas assim a glória dEle poderá ser estupendamente demonstrada. É assim mesmo? Não seria isso uma espécie de maniqueísmo? É sobre o pensar maniqueísta a respeito do bem e do mal – contrários iguais e necessários, que apenas permitem a compreensão de um deles a partir do outro – que o calvinismo se sustenta? Me parece que o calvinismo gosta mesmo de flertar com heresias. É assim com o exclusivismo deles e com o exclusivismo dos gnósticos que pertubaram tanto a Igreja primitiva.
[1]GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1999.
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3 Comentários em “Glória a Deus nas Alturas”
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Esli Soares on Fevereiro 11th, 2010
Olá Zwinglio…
Eu também fico a pensar… quais seriam as formas que Deus tem para ser glorificado. Mas então eu percebo que, como Jó, eu não estava presente quando Deus lançou os alicerces da terra, nem quando marcou os limites das suas dimensões, nem fui eu quem represou o mar pondo-lhe portas, quando ele irrompeu do ventre materno. E que eu não conhece as leis dos céus. E nem posso determinar o domínio de Deus sobre a terra (Jo 38). Certo de minha finitude passageira (1 Pe 1;24), me calo! Passo a contemplar os céu, que proclamam a Gloria de Deus, e o firmamento que anuncia as obras da Suas mãos (Sl 19), então digo ó profundidade da riqueza da sabedoria e do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e inescrutáveis os seus caminhos! “Quem conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Quem primeiro lhe deu, para que ele o recompense?” Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém (Rm 11;33). E fico com o que está revelado dEle por Ele mesmo, sem medo, sem pretensões, sem querer justificar a Deus ou lhe servir de advogado. Deixo ele mesmo falar…
Noutras palavras, sobre a vontade de Deus, ele diz, através do apóstolo Paulo, em Rm 9 que não são os filhos naturais que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa é que são considerados descendência de Abraão.
Pois foi assim que a promessa foi feita: “no tempo devido virei novamente, e Sara terá um filho”. E esse não foi o único caso; também os filhos de Rebeca tiveram um mesmo pai, nosso pai Isaque. Todavia, antes que os gêmeos nascessem ou fizessem qualquer coisa boa ou má — A FIM DE QUE O PROPÓSITO DE DEUS CONFORME A ELEIÇÃO PERMANECESSE, NÃO POR OBRAS, MAS POR AQUELE QUE CHAMA — foi dito a ela: “O mais velho servirá ao mais novo”. Como está escrito: “Amei Jacó, mas rejeitei Esaú”.
E então, que diremos? Acaso Deus é injusto? De maneira nenhuma! Pois ele diz a Moisés: “Terei misericórdia de quem eu quiser ter misericórdia e terei compaixão de quem eu quiser ter compaixão”.
Portanto, isso não depende do desejo ou do esforço humano, mas da misericórdia de Deus. Pois a Escritura diz ao faraó: “Eu o levantei exatamente com este propósito: mostrar em você o meu poder, e para que o meu nome seja proclamado em toda a terra”.Portanto, Deus tem misericórdia de quem ele quer, e endurece a quem ele quer.
Mas algum de vocês me dirá: “Então, por que Deus ainda nos culpa? Pois, quem resiste à sua vontade? “Mas quem é você, ó homem, para questionar a Deus? Acaso aquilo que é formado pode dizer ao que o formou: ‘Por que me fizeste assim? ’” O oleiro não tem direito de fazer do mesmo barro um vaso para fins nobres e outro para uso desonroso?
E se Deus, querendo mostrar a sua ira e tornar conhecido o seu poder, suportou com grande paciência os vasos de sua ira, preparados para destruição? Que dizer, se ele fez isto para tornar conhecidas as riquezas de sua glória aos vasos de sua misericórdia, que preparou de antemão para glória, ou seja, a nós, a quem também chamou, não apenas dentre os judeus, mas também dentre os gentios? Como ele diz em Oséias: “Chamarei ‘meu povo’ a quem não é meu povo; e chamarei ‘minha amada’ a quem não é minha amada”, e: “Acontecerá que, no mesmo lugar em que se lhes declarou: ‘Vocês não são meu povo’, eles serão chamados ‘filhos do Deus vivo’”.
Que diremos, então? Os que não buscavam justiça, a obtiveram, uma justiça que vem da fé; mas os que buscava uma lei que trouxesse justiça, não a alcançou. Por que não? Porque não a buscava pela fé, mas como se fosse por obras. Eles tropeçaram na “pedra de tropeço”. Como está escrito: “Eis que ponho em Sião uma pedra de tropeço e uma rocha que faz cair; e aquele que nela confia jamais será envergonhado”.
Então essas palavras, também são “colóquio flácido para acalentar bovino”?
Quem escolheu uns para a misericórdia e outras para ira? Quem escolheu um dos gêmeos, antes de algum ter feito qualquer coisa boa ou má? Quem colocou a pedra de tropeço, que despedaça e esmaga (Mt21;44) uns e ergue outros?
Mas nisso você vê maniqueísmo? Essa vontade de Deus depende do mal? Mas como se em Deus não há mal, ou há? Ou Deus não é todo-poderoso para fazer o que quer? E tem que recorrer a alguma força alem de si?
Ednaldo on Fevereiro 17th, 2010
Paz Zwinglio,
Meu irmão você é capaz de coisa melhor, me desculpe a sinceridade.
Não sei qual a profundidade do seu conhecimento do calvinismo, já que conversamos pouco sobre o assunto, sei apenas que você é um bom conhecedor, e devido a isso, deveria saber que a concepção da existência do mal, dentro do calvinismo, não leva a nenhuma idéia maniqueísta, já que o mal é algo criado, e plenamente subordinado a soberania de Deus, diferente do maniqueísmo onde há duas
“divindades” supremas e opostas com poder equivalente.
Na verdade se algum ramo do evangelicalismo defende ideias maniqueístas não é o calvinismo, isso aparece muito mais nas seitas neo-pentecostais que vemos hoje, bem como em alguns movimentos de batalha espiritual, onde, aparentemente, satanás luta com Deus em pé de igualdade.
Sobre a relação entre Deus e o mal, a Bíblia diz algo, e que sinceramente não compreendo, mas que está registrado.
“Então disse o SENHOR Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal;” (cf. Gn. 3.22a). Quem disse? Deus!
Fica na Paz.
Ednaldo.
zwinglio on Fevereiro 17th, 2010
Ednaldo, paz!
Você leu direitinho?!! Eu disse que gosta de flertar… mas não disse que pensa como tal… isso foi uma provocação… igual aquela relacionada ao exclusivismo soteriológico dos gnósticos contra o qual Paulo se opõe em 1Tm 2:4… é isso mano… não se zangue bom calvinista /rsrsrs/
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Abraços!!