Demonização de Crentes: Nome Cultural e Nome Segundo a Função

combate espiritualPor Pr. Zwinglio Rodrigues

Este é o primeiro texto que apresento com vistas a fundamentar, escrituristicamente, a real possibilidade de crentes ter demônios.

Esse é um assunto polêmico que causa pavor e repulsa naqueles que são contrários a tal posicionamento. Os que não admitem essa possibilidade, pensam possuir bases textuais para rejeitá-la. Tenho lido e ouvido os argumentos deles, mas o que tenho constatado é um grande exercício interpretativo duvidoso e, por vezes, ingênuo.

Não vou me ater aqui a refutar insistentemente os argumentos oposicionistas, mas hei de me aplicar a expor as minhas conclusões a partir da observância de referências vetero e neotestamentárias, a partir de uma ou outra referência da patrística e da experiência no exercício do ministério de libertação.

Para início de conversa, é preciso entendermos que as Escrituras, além de tratar da queda de satanás e seus aliados, elas ocupam-se em denominar alguns desses subordinados do diabo. Veremos que eles são chamados por nomes vinculados ao aspecto cultural e às suas funções.

Quando se diz que os demônios são chamados por nomes culturais,  quer dizer que a relação é traçada com a cultura dos povos que os tinham como deuses. Exemplos: Aserá (1Rs 16:33); Astarote (Jz 2:13; 1 Rs 11:5; 1Sm 7:3-4); Baal (Jr 23:13, 19:5; 2 Rs 11:18, 23:5); Camos (Jr 48:7; Jz 11:24); Dagom (1Sm 5:2-5,7; 1Cr 10:10); Moloque (Lv 18:21; 1Rs 11:7; 2Rs 23:10; Jr 32:35); Rainha dos Céus (Jr 7:18, 44:17-18; Is 66:17).

Nomes como pomba-gira, zé pilintra, exú, etc., não são nomes bíblicos, mas são nomes culturais de entidades que se incorporam e se manifestam. Dependendo da região, do lugar, do país, elas podem receber nomes diferentes.

O outro caso tem haver com a função que o demônio possui. Em outras palavras, os demônios podem ser chamados por nomes relacionados com a área de atuação deles. Exemplos: Advinhador (At 16:16); Mudez (Mt 12:22; Lc 11:14); Cegueira (Mt 12:22); Enfermidade (Lc 13:11); Aversão (Jz 9:23); Prostituição (Os 4:12, 5:4); Mentira (2Cr 18:22; 1Rs 22:23).

Aqueles nomes de demônios que citei acima e que não constam nas páginas das Escrituras, além de seus nomes culturais, eles podem ser chamados, e são, pelos nomes relacionados à área de atuação deles. Por exemplo: é sabido que as pombas-giras têm relação com a área da prostituição, logo, eles podem ser chamados de espíritos de prostituição.

Quando alguém está no pecado da prostituição ele já foi vencido tanto pela concupiscência da carne (Gl 5:19) bem como pela tentação infrigida pelo demônio (Os 4:12) que atua na área. Além do mais, é fato também que nesse estado de pecado a ingerência do demônio é presente e contínua com vistas a estabelecer e manter uma escravidão.

A respeito dos “filhos da desobediência” somos informados por Paulo que eles estão sob a atividade escravagista das forças malignas (Ef 2:2). Logo, não é do interesse das trevas dedicar-se a fazer escravos entre eles porque não há um que não seja. O alvo do diabo e dos demônios são os crentes (Ef 4:27; 1Pe 5:8).

Qual seria então a matéria prima usada pelos demônios para conseguirem tal façanha? Já deixei esclarecido anteriormente que é o pecado. Pelo pecado é possível que um crente torne-se prisioneiro dos demônios. Ao tentar o crente em deteminada área, os demônios têm como meta não apenas quebrar a comunhão dele com Deus, mas adquirir o direito de posse sobre aquela área da vida do crente, pois só com esse direito é que pode ser concretizada a escravidão. É por isso que Paulo é enfático e direto quando diz: “não deis lugar (no grego é topos que significa lugar, espaço, qualquer área geográfica) ao diabo” (Ef 4:27). Paulo escrevendo a Timóteo fala de alguns crentes que não tiveram o cuidado devido e acabaram sendo feitos cativos pelo diabo (2Tm 2:26).

Onde se dá essa escravidão? Do lado de dentro ou de fora da vida do crente? Os demônios só atuam contra o crente de maneira externa ou eles podem penetrar no interior da vida de um crente? Uma pomba-gira (espírito de prostituição) que instiga um jovem crente à masturbação tem o direito de posse sobre a sexualidade dele? Esse direito de ocupação está limitado à dimensão externa? Se sim, não seria esta resposta incoerente com a realidade de que não existe sexualidade extrínseca e sim intrínseca ao ser humano?

Na sequência desta defesa, procurarei demonstrar que as Escrituras propõem o direito de posse (e, portanto, direito à escravidão) dos demônios sobre áreas da vida dos crentes quando estes estão em pecado. Jesus disse:

“[...] Todo o que comete pecado é escravo do pecado (pecado de prostituição, espírito de prostituição)” João 8:34.

Pedro também se manifestou de modo semelhante dizendo:

“[...] pois aquele que é vencido (o crente) fica escravo do vencedor (a prostituição, o demônio de prostituição)” 2 Pedro 2:19.

Paulo, igualmente, falou sobre o assunto:

“Nem ofereçais cada um (cada crente) os membros do seu corpo ao pecado como instrumentos de iniqüidade (pecado de prostituição) [...] Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis como servos para obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos (prostituição, demônio de prostituição), seja do pecado para a morte [...]” Romanos 6:13, 16.

João não se furtou de falar do assunto:

“Quem comete pecado (prostituição) é do diabo (demônio de prostituição) [...]” 1João 3:8.

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